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Comparativo pneus desportivos

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04 / julho, 2017

No limite 

A evolução dos pneus desportivos atingiu níveis incríveis de desenvolvimento em áreas tão distintas como o comportamento em estrada, a estabilidade em pista e a segurança em piso molhado. Três novas ofertas no segmento vêm agora colocar a fasquia ainda mais alta. Estaremos perto do pneu perfeito?

 

Para os comerciantes de pneus, as designações que acompanham as mais recentes ofertas das marcas para o segmento desportivo, como “Hyper” ou “Supersport”, são extremamente atrativas, devido ao apelo que têm junto dos clientes que procuram calçar as suas superdesportivas. Com efeito, apesar do declínio das vendas no segmento das superdesportivas, o mercado dos pneus para estas mesmas motos apresenta uma tendência inversa. Isto deve-se, sobretudo, ao facto deste tipo de motociclo “queimar” borracha com maior rapidez devido à vertente de uso em pista. O responsável de vendas de uma importante marca de pneus, já com vários anos de experiência, confirmou-nos que os utilizadores de motos desportivas passam na oficina para trocar de pneus pelo menos uma vez por ano, e que é comum adquirirem dois pares de pneus nesse período. Já os proprietários de motos turísticas, apesar de conhecidos por serem “papa-quilómetros”, trocam de pneus com muito menos frequência. Estas informações vão ao encontro dos dados da Federação Europeia de Fabricantes de Pneus (ETRM) que indicam que, no ano passado, naquele que é o maior mercado europeu de motociclos (Alemanha) foram vendidos cerca de 1,5 milhões de pneus para motos, 10% dos quais de perfil desportivo para o eixo da frente, com as dimensões típicas 120/70 ZR 17, aos quais se juntam outros 13% de pneus traseiros com dimensões compreendidas entre 160/60 e 190/55 ZR 17. Os pneus para motos turísticas, para ambos os eixos, apenas constituem 19% do mercado. Uma pequena, mas importante diferença! Compreensivelmente, as seis maiores marcas de pneus pegaram nestes números e decidiram investir grandes somas de dinheiro no desenvolvimento de novos produtos para motos desportivas, que são renovados, em média, de quatro em quatro ou cinco em cinco anos, apesar de assistirmos ao lançamento de produtos atualizados a meio destes ciclos, geralmente denominados “Evo” ou “Pro”. Para este ano, a Bridgestone, Continental e Pirelli renovaram as suas ofertas de forma profunda, para desafiar as ofertas já bem estabelecidas da Dunlop, Metzeler e Michelin. Vamos analisar então este duelo “velho contra novo”:

Dunlop Sportsmart 2: há cerca de três anos, o Dunlop Sportsmart era uma aposta acertada neste segmento, graças a cumprir, não só aos requisitos de performance das mais modernas motos desportivas, mas também de motos mais antigas nas quais o Sportsmart funciona tal e qual como foi projetado. Esta preocupação com as motos mais antigas vem do facto da idade média dos motos na Europa se encontrar nos 14 anos. Mas, no primeiro contacto que tivemos com a segunda geração destes pneus, em 2014, não ficámos muito impressionados com os Sportsmart 2, na altura montados numa BMW S1000RR. Apesar de convencer em piso molhado e na sua durabilidade, o comportamento dos pneus em pista e na estrada deixou algo a desejar. Assim, e como o nosso comparativo não contempla a durabilidade dos pneus e depois de constatarmos que praticamente nada mudou nos Sportsmart 2, montados desta vez na nova Yamaha YZF-R1, a Dunlop não passa do último lugar.

Metzeler Sportec M7 RR: lançados em 2014, os M7 RR levaram novamente à ribalta a marca de Munique e ajudaram a esquecer de uma assentada os fracos M5. Na altura testados igualmente numa S1000RR, os M7 surpreenderam pelo seu baixo desgaste, e pela precisão em curva proporcionada pelo feedback dos pneus que, por sua vez, contribui para uma excelente manobrabilidade. No nosso comparativo, desta vez com a R1, voltámos a constatar todos estes atributos deixando apenas uma pergunta por responder: será que os três novos concorrentes no segmento conseguiram destronar os Metzeler? A resposta é não.

 Michelin Pilot Power 3: em conjunto com os Sportsmart, os Pilot Power têm um rico historial e a atual geração vai no seu quarto ano de comercialização. Há cerca de dois anos, pelo lançamento dos Metzeler M7, considerámos que as suas performances eram muito semelhantes. Os Pilot Power 3 têm um razoável comportamento em estrada, permitindo as habituais deslocações do dia a dia, mesmo quando estas incluem viagens de algumas centenas de quilómetros. Por fim – algo a que a marca já nos habituou – têm um excelente comportamento em piso molhado! Mas é em circuito que encontram o seu calcanhar de Aquiles, que se prende com a dificuldade em atingir a temperatura ótima operacional, algo a que os utilizadores destes pneus já estão habituados. Não é, então, uma surpresa que a componente de pista tenha prejudicado a pontuação dos Michelin que, apesar do brilhante comportamento em piso molhado, não conseguem passar do quinto lugar, muito graças aos fortes atributos das três novidades deste ano.

Bridgestone S 21: em comparação com os BT 16 Pro, os japoneses deram uma volta de 180 graus de forma a maximizar a estabilidade em estrada, sobretudo em piso molhado. Isto originou os sucessores S 20 e ainda os S 20 Evo introduzidos como atualização intermédia. No lado negativo destes pneus tínhamos um excessivo desgaste a que se juntava uma sensível falta de feedback em pista. No entanto, os novos S 21 comportam-se muito melhor do que os seus antecessores, graças à acrescida precisão e estabilidade, com um feedback capaz de dar total confiança aos pilotos, principalmente onde os outros falhavam: em pista! Graças a isso, ganham a nossa recomendação como melhores pneus para pista. No entanto, a capacidade de drenagem em piso molhado foi significativamente afetada, razão pela qual na nossa classificação geral apenas fica com o quarto lugar.

Continental Sport Attack 3: A Continental já não tinha no seu Sport Attack 2 um pneu capaz de equipar a atual geração de superdesportivas. Apesar do seu comportamento em pista e em estrada ser razoável, o desgaste e o comportamento à chuva não deixavam qualquer dúvida da necessidade de um sucessor. Ao testarmos o Sport Attack 3 fomos surpreendidos pelo seu comportamento em estrada onde se destaca. Para além disso, a drenagem em piso molhado foi melhorada e o composto utilizado na construção do pneu reserva muitíssima aderência quando curvamos no limite do pneu o que permite melhores acelerações à saída das curvas. Graças a tudo isto, ocupa o segundo lugar do nosso comparativo.

Pirelli Diablo Rosso III: em primeira análise, o propósito dos pneus Pirelli Diablo Rosso e Diablo Rosso Corsa, permanece inalterado com esta terceira geração dos desportivos italianos: proporcionar uma fantástica prestação em pista. Com um conjunto montado na nossa Yamaha YZF-R1 confirmámos esse facto, pelo que os Pirelli Diablo Rosso III são a nossa recomendação para pilotos amadores, sejam as corridas disputadas com piso seco ou molhado, já que a sua prestação em piso molhado é também impressionante.  

 

Bridgestone S 21

 

Peso: dianteiro 4,2 kg, traseiro 6,9 kg

País de origem: Japão

Info/Importador: Mavico / Lusomotos, Tel. 218400860 (Mavico); 231510860 (Lusomotos) , www.bridgestone.pt

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,2/2,0 bar, 96 Pontos, 1º Lugar) Em comparação com os S 20 Evo, Os S 21 demonstram uns genes mais desportivos. Em pista convencem pela sua rápida reação, precisão dos movimentos da direção e ainda pela grande aderência e estabilidade. Digno de menção é ainda a durabilidade destes pneus mesmo depois de algumas voltas rápidas, o que vale aos S 21 a nossa recomendação para uso em pista.

Estrada: (90 Pontos, 3º Lugar) Os pneus japoneses precisaram apenas de algumas curvas para alcançar a temperatura ótima de operação e convencem para uso desportivo no dia a dia graças a um ótimo feedback e grande precisão.

Piso molhado: (83 Pontos, 5º Lugar) O bom comportamento em pista é alcançado à custa da facilidade de escoamento de água que os anteriores S 20 Evo demonstravam.

Conclusão: Pilotos que procuram pneus capazes de acompanhar as suas capacidades e as da moto ao limite, em pista, ficarão muito satisfeitos com os novos S 21. Mas, em dias frios e de chuva, os Bridgestone não convencem.

Classificação: 269 Pontos - 4º lugar

 

Continental Sport Attack 3

 

Peso: dianteiro 4,3 kg, traseiro 6,5 kg

País de origem: Alemanha

Info/Importador: Bicimotor, Tel. 222008785, www.bicimotor.pt

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,1/1,8 bar, 93 Pontos, 3º Lugar) Tal como os seus antecessores, os Sport Attack 3 recebem uma boa pontuação (3º lugar) graças à resposta imediata que proporcionam e que inspira muita confiança. Em pista isto traduz-se numa grande maneabilidade e num bom feedback. No entanto, à saída das curvas e sob forte aceleração, os Continental não estão ao nível da concorrência (em particular Bridgestone, Metzeler e Pirelli) no que diz respeito ao nível de aderência no limite do pneu, resultando em alguma instabilidade.

Estrada: (92 Pontos, 1º Lugar) Aqui os Continental estão no seu elemento graças à excelente maneabilidade, precisão da direção e ainda amortecimento que proporcionam e que permitem aos Sport Attack 3 alcançar a melhor posição nesta componente do teste.

Piso molhado: (86 Pontos, 3º Lugar) Um grande passo em frente comparativamente com os seus antecessores, apresenta níveis de aderência muito superiores que estes em piso molhado.

Conclusão: Em estrada os pneus desportivos da Continental sempre surpreenderam. A atual geração traz essas boas caraterísticas para a condução em piso molhado, o que, em junção com resultados satisfatórios em pista, os colocam no segundo lugar.

Classificação: 271 Pontos -2º lugar

 

Dunlop Sportsmart 2

 

Peso: dianteiro 4,4 kg, traseiro 7,2 kg

País de origem: França

Info/Importador: Goodyear Dunlop Tires Portugal, Tel. 210349000, www.dunlop.eu

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,5/2,5 bar, 84 Pontos, 5º Lugar) Comparativamente com o resto da concorrência, os Sportsmart 2 demoram muito tempo até atingirem a temperatura ideal, em que passam a conseguir proporcionar melhor aderência e maneabilidade. Mas, mesmo alcançada essa temperatura, os Dunlop ficam muito atrás nestes campos, o que se nota particularmente em curvas largas onde estes pneus não têm qualquer hipótese de alcançar a estabilidade dos adversários. Em forte aceleração os Dunlop desiludem também devido à flexão excessiva do pneu, que desestabiliza a traseira.

Estrada: (84 Pontos, 6º Lugar) No dia a dia é ainda mais difícil alcançar a temperatura ideal de utilização, o que prejudica a precisão da direção, a maneabilidade e ainda dificulta a perceção do feedback dado pelos pneus.

Piso molhado: (83 Pontos, 5º Lugar) A aderência é mediana, mas a grande inércia dos pneus custa pontos à Dunlop nesta categoria.

Conclusão: Aos Dunlop falta neutralidade, maneabilidade e precisão, caraterísticas sem as quais os Sportsmart 2 não se conseguem destacar seja em pista ou na estrada.

Classificação: 251 Pontos - 6º lugar

 

Metzeler Sportec M7 RR

 

Peso: dianteiro 4,1 kg, traseiro 7,0 kg

País de origem: Alemanha

Info/Importador: SC Vouga / Multimoto, Tel. 234601500 (SC Vouga); 256000200 (Multimoto), www.scvouga.pt / www.multimoto.pt

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,5/2,7 bar, 93 Pontos, 3º Lugar) Destacam-se pela sua precisão de direção exemplar, feedback agradável e forte estabilidade em pista, que não diminui mesmo depois de algumas voltas rápidas. Em termos de agilidade, os Continental são ligeiramente mais fortes.

Estrada: (92 Pontos, 1º Lugar) Na condução do dia a dia e em estradas sinuosas, os Metzeler são uma ótima escolha graças ao fantástico feedback, resposta rápida e falta de impulso de verticalidade, que se revelam também em piso molhado.

Piso molhado: (88 Pontos, 2º Lugar) Mesmo em piso molhado, estes M7 ganham o direito a ter a denominação RR. Apesar de ficarem atrás dos Michelin Pilot Power 3 em confronto direto, a aderência e o comportamento no limite do pneu são de topo.

Conclusão: A Metzeler sempre conseguiu equilibrar muito bem todas as caraterísticas de um pneu desportivo. Seja em pista ou em estrada, o seu ótimo equilíbrio entre todas as necessidades de condução colocam-no no primeiro lugar deste comparativo.

Classificação: 273 Pontos -1º lugar

 

Michelin Pilot Power 3

 

Peso: dianteiro 4,2 kg, traseiro 6,6 kg

País de origem: Espanha

Info/Importador: Puretech / SC Vouga, Tel. 220 998 787 (Puretech) ; 234601500 (SC Vouga), www.puretech.pt / www.scvouga.pt

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,1/1,9 bar, 76 Pontos, 6º Lugar) No final de uma volta ao circuito, a perceção que temos dos Michelin é um pouco agridoce. Inicialmente, o feedback é satisfatório e os Power 3 mostram alguma agilidade, mas tudo isso torna-se irrelevante quando o pneu traseiro literalmente se dobra em aceleração à saída das curvas, revelando uma grande instabilidade mesmo com uma pressão de 2.5 bar, um significativo aumento relativamente ao recomendado para a pista.

Estrada: (89 Pontos, 4º Lugar) Pilotos que rodem com as suas motos durante todo o ano ficarão satisfeitos com as propriedades a baixa temperatura dos Power 3, mas sentirão muita instabilidade à medida que aumentem o ritmo

Piso molhado: (92 Pontos, 1º Lugar) A concorrência evolui bastante neste campo, mas a Michelin continua a ser número 1 em piso molhado.

Conclusão: Os Michelin apenas se destacam em piso molhado onde não encontram nenhum outro pneu equivalente. No entanto, se em condições de piso seco se torna difícil puxar pela moto, quase ao ponto de ocorrer um despiste, não é possível colocar os Pilot Power 3 mais acima do que a 5ª posição.

Classificação: 257 Pontos - 5º lugar

 

Pirelli Diablo Rosso III

 

Peso: dianteiro 4,2 kg, traseiro 6,6 kg

País de origem: Alemanha

Info/Importador: Multimoto / SC Vouga, Tel. 256000200 (Multimoto); 234601500 (SC Vouga), www.multimoto.pt / www.scvouga.pt

AVALIAÇÃO

Pista: (Pressão* F/T: 2,5/2,7 bar, 96 Pontos, 1º Lugar) Os Diablo Rosso são pneus que conquistam o direito de utilizar a inicial “R”. Já na sua terceira geração, estes são os pneus que continuam a receber a nossa recomendação para pilotos que pretendem tirar o máximo da sua Superbike. A aderência e estabilidade são de topo e na precisão apenas fica atrás dos S 21. Em aceleração à saída das curvas, ambos os pneus oferecem uma fantástica estabilidade.

Estrada: (89 Pontos, 4º Lugar) No dia a dia os Pirelli conseguem acompanhar os Continental e os Metzeler, sendo apenas de criticar uma notável inércia na inserção em curva.

Piso molhado: (86 Pontos, 3º Lugar) Os Rosso 3, significativamente mais aderentes do que os seus antecessores, dão cartas mesmo em piso molhado.

Conclusão: Aqueles que valorizam o caráter desportivo dos pneus vão gostar dos Rosso 3, principalmente porque agora, mesmo em condições adversas, estes pneus conseguem proporcionar boas prestações.

Classificação: 271 Pontos - 2º lugar

 

 

Como se processam os testes

Equipámos uma Yamaha YZF-R1 para testar os seis conjuntos de pneus aqui apresentados, com as dimensões 120/70 ZR 17 à frente e 190/55 ZR 17 atrás. O local dos testes foi a pista da Goodyear Dunlop no Sul de França (Mireval), que contém segmentos onde é possível simular condições de chuva constante. A configuração da pista escolhida para testar os pneus em condições de corrida foi o antigo traçado de Fórmula 1. Os nossos prin­cipais critérios de avaliação foram: Maneabilidade

- A força necessária para se inclinar a moto e mantê-la na trajetória correta em curva.

 

Comportamento no limite da aderência*

- Capacidade de controlar o deslize do pneu no limite da aderência. Testado em superfície seca e molhada.

Aderência em aceleração*

- Capacidade de manter a trajetória ao descrever uma curva à medida que se transmite mais potência à roda traseira.

Aderência em curva*

- Velocidade máxima a que se consegue curvar no ângulo máximo de inclinação, testada em piso seco e molhado.

Precisão da direção*

- Através de passagens a velocidade variada em curvas de raio variável, de­termina-se a capacidade da moto em permanecer na linha imposta pela ação do piloto nos avanços, idealmente, sem necessidade de correções.

Estabilidade em curva

- Avaliada através de passagens propo­sitadas sobre lombas e ressaltos da pista e através de passagens em aceleração sobre a curva em relevé do circuito.

Estabilidade em reta

- Testada a alta velocidade de forma a avaliar se a moto se mantém estável ou se oscila em excesso.

Impulso de verticalidade

- Refere-se às forças que atuam sobre a moto em travagem com a moto in­clinada, e que obrigam a uma ação contrária sobre o avanço interior para recuperar a trajetória ideal.

* As informações marcadas com um asterisco são válidas para motos com geometria semelhante à da Yamaha YZF-R1

 

Testados ao limite

Pneus desportivos têm de conseguir manter a máxima performance quando tentamos obter uma volta rápida em pista. Como tal, os nossos concorrentes foram postos à prova naquele que foi outrora um circuito de Fórmula 1. Pneus desportivos e um circuito parecem casar muito bem. No entanto, temos de ter em conta que, quem procura um pneu exclusivamente para pista, encontra nas gamas dos fabricantes que estamos aqui a testar alternativas mais “extremas” como são exemplo na Bridgestone o RS10, na Dunlop o D212 GP Pro e na Met­zeler o Racetec RR. Mas, como é sabido, estes pneus “racing”, apesar de terem homologação para circular na via pública, são desenvolvidos com vista a obter os melhores tempos em pista e, como tal, em estrada não são tão resistentes à abrasão e em dias de chuva os compostos que garantem a máxima aderência em pista tornam-se assutadores em piso molhado. Por este motivo, colocámos estes pneus desportivos “normais” em pista tendo, no entanto, a perfeita noção que alguns com­promissos terão de ser feitos. Para completar um conjunto de sessões de treino em pista ou um curso de condução, tal como aqueles que o Action Team da revista MOTOCICLISMO organiza todos os anos, todos estes pneus se compor­tarão muito bem. Todos os fabricantes recomendam baixar a pressão dos pneus para circular em pista com um pouco mais de aderência, valores estes que são reco­mendados especificamente por cada um dos fabricantes. Mas é nos Michelin que descobrimos que este valores nem sem­pre são os mais apropriados. Em vez dos normais 2.5 (frente) e 2.9 (atrás) a Michelin recomenda 1.9 para a traseira, algo que quase impossibilita rodar em pista na R1, devido à falta de estabilidade que gera. Apenas quando aumentamos a pressão para 2.5 voltamos a sentir controlo da traseira que, mesmo assim, faz com que os Michelin fiquem muito longe da prestação dos Bridgestone, Metzeler e Pirelli.

Quatro dos nossos seis candidatos vêm-se envolvidos numa acesa luta pela liderança da componente de pista do nosso teste. Isto é evidenciado pela pequena diferen­ça entre os dois vencedores e os dois “perseguidores”. Os S 21 da Bridgestone assumem um claro caráter desporti­vo que faltava nos seus antecessores como o S 20 Pro e demonstram uma precisão inigualável. Os novos Rosso III da Pirelli chegam ao topo da tabela graças a uma enor­me quantidade de aderência e à soberba estabilidade que proporcionam. Por fim, os Continental Sport Attack 3 destacam-se pela manobrabilidade e os Metzeler M7 RR pelo equilíbrio entre os pontos em análise.

 

Alta rotação à chuva

Apesar da elevada capacidade de escoamento destes pneus, fomos descobrir as várias diferenças de comportamento entre os diversos pneus.

Construir pneus de chuva que funcionem em motos de corrida é um balanço muito delicado. Quem já seguiu uma corrida de MotoGP realizada à chuva não pode ficar indiferente aos graus de inclinação que se consegue obter com os pneus de chuva, responsáveis por colocar no chão mais de 250 cv. No entanto, quando a chuva para, os pneus de chuva são completamente desbastados pelo asfalto seco que destrói a borracha num ápice. Desta forma, atinge-se um balanço delicado entre a capacidade de aderência obtida pelos pneus de chuva e a estabilidade e durabilidade dos mesmos. O segredo está na sílica ou, mais concretamente, no tipo de mistura deste material e da borracha que consegue gerar aderência a baixas temperaturas e debaixo de chuva. Igualmente importante é o desenho do limite do pneu, de forma a transmitir informação, de forma eficaz e segura, de que se está a alcançar o limite da aderência.

Se repetíssemos este teste cada vez que sai um novo Michelin, teríamos sempre um Michelin no topo! Em piso molhado, os pneus franceses conti­nuam a ser a referência. Os Power 3 dão confiança nestas condições e garantem uma boa adesão mes­mo quando os ângulos de inclinação começam a aumentar. Dignos de menção honrosa são os M7 RR com uma manobrabilidade semelhante aos Miche­lin e os Rosso III que impressionam com a sua redu­zida distância de travagem. Os Sport Attack 3 mos­tram um salto em frente para a Continental em comparação com os antecessores “hidrofóbicos”.

 

Por curvas e contra curvas

Circuitos como o Estoril ou Portimão são ótimos locais para usufruir do que estes pneus têm para oferecer, mas não é aqui que diariamente serão postos à prova. Muitas vezes, a melhor “volta” faz-se mesmo nas nossas estradas sinuosas preferidas. Co­mo se comportam os pneus desportivos aqui?

Seria de esperar que pneus que aguentam uma enorme “esfrega” em pista fossem mais do que suficientes para rodar em estradas públicas… Mas nem sempre é assim! Os requisitos impostos aos pneus em estrada são totalmente diferentes daqueles que utilizamos em pista, sob condições altamente controladas de temperatura e pres­são, onde a resistência dos pneus é o fator mais importante. Mais uma vez, as marcas são obrigadas a respeitar um equilíbrio ténue no desenvol­vimento dos pneus desportivos, já que, em ambiente de corrida, a borracha aquece facilmente e pro­porciona de forma rápida toda a aderência disponível, algo que em estrada, mesmo em caminhos si­nuosas, não ocorre com a mesma facilidade - principalmente em dias mais frios ou em situações onde é necessário controlar a velocidade de circulação. Sendo assim, os pneus mais equilibrados têm vantagem nesta componente do teste em comparação com os pneus despor­tivos mais extremos, que na pista mostram a sua superioridade. Para separar o trigo do joio tivemos de ir além da estabilidade em curva e da capacidade de aderência no limite de inclinação destes pneus, que apresentaram valores muito próximos uns dos outros. O fator decisivo seria o comportamento durante o período de aquecimento, com especial ênfase na precisão da direção e na manobrabilidade.

Na componente de estrada do nosso teste são os Metzeler M7 RR e os Continental Sport Attack 3 quem reina. O primeiro lugar é atribuído “ex aequo” a estes dois concorrentes, pois apresentam caraterísticas mui­to semelhantes nesta vertente. O Sport Attack 3 honra a Continental com uma enorme agilidade, proporcio­nada por pneus muito leves que permitem devorar curva após curva. Os Metzeler M7 RR vencem graças a um equilíbrio muito satisfatório nas categorias em avaliação. Os Bridgestone S 21 merecem uma menção honrosa em terceiro lugar, graças às semelhanças que têm com os dois vencedores.

 

E chegamos à linha da meta…

Depois de realizar todos os testes, resta-nos apenas juntar os resultados e coroar os melhores pneus desportivos. Vitórias numa ou noutra categoria ajudam, mas o melhor pneu tem de ter ter boas prestações transversalmente a todas estas componentes. Qual será o pneu mais equilibrado?

Os testes realizados permitem-nos tirar as conclusões finais neste com­parativo. Os Dunlop Sport Smart 2 apenas atingem o seu verdadeiro potencial depois de estarem verdadeiramente quentes e, em todas as componentes do nosso teste, demonstraram uma inércia que não nos possibilitou aproveitar o verdadeiro potencial da nossa Yamaha R1. Em quinto lugar ficam os Michelin Pilot Power 3, derrotados em quase todas as categorias, mas que continuam a ser a referência em piso molhado, algo a ter em conta para quem roda essencialmente nestas condições. Em quarto, à porta do pódio, estão os Bridgestone S 21 que, contrariamente aos seus antecessores, foca-se na prestação em pista, em detrimento de um comportamento mais equilibrado. O mesmo se pode dizer dos Pirelli Diablo Rosso III, segundos classificados “ex aequo”, que demonstram uma surpreendente aptidão para pista graças à maior aderência que demonstraram. Por esse motivo, são uma das nossas escolhas para pista. Partilhando o segundo lugar, encontram-se os novos Continental Sport Attack 3 graças às suas prestações em estrada e ao melhor comporta­mento demonstrado em piso molhado comparativamente com os seus antecessores. No topo da tabela encontramos os Metzeler M7 RR, vence­dores deste comparativo graças ao equilíbrio demonstrado em circuito, estrada e piso molhado, ganhando o título de pneu mais equilibrado.

 

Galeria:

 

 

Texto: Jörg Lohse e Karsten Schwers Fotos: Markus Jahn, mps-Fotostudio

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