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Harley-Davidson Street Glide Special / Moto Guzzi MGX-21

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29 / maio, 2017

Em tons de cinza 

Mais do que as diferenças que as separam são as semelhanças que as juntam. Estas interpretações italiana e norte-americana do que deve ser uma “bagger” oferecem diferentes sensações tendo como base um estilo bem definido. Vamos conhecê-las!

 

Poucos modelos cruiser e custom (com exceção da incrível Ducati XDiavel) tiveram um impacto visual tão significativo nos últimos anos como o então protótipo da Moto Guzzi MGX-21, corretamente apelidada de “Flying Fortress”, no Salão de Milão de 2014. A fórmula “bagger” foi aplicada a um motociclo que vestia de preto, mas um preto muito especial já que praticamente todos os painéis são fabricados com recurso a fibra de carbono, contribuindo com um look futurista e desportivo para esta moto de linhas retas e perfil rebaixado. Depois de finalmente apresentada a versão de produção, na qual a totalidade das peças de carbono se manteve, surge a oportunidade de a colocar frente a frente com a concorrência norte-americana, sob a forma da Street Glide Special, uma das motos turísticas de maior sucesso da Harley- Davidson a nível mundial. Sem necessidade de grande análise, tornam-se de imediato evidentes as semelhanças entre estes dois modelos, uma vez que estamos perante duas bagger movidas por propulsores bicilíndricos em V, com um largo frontal equipado com sistemas de som e rádio, duas malas laterais esguias e linhas descendentes que se estendem da frente para a traseira. No que diz respeito ao posicionamento do motor, encontramos na MGX os cilindros dispostos de forma transversal, como é norma em todas as Guzzi, enquanto a Harley continua a preferir a orientação longitudinal. Contrariamente ao que se possa imaginar, principalmente para indivíduos de estatura maior, é mais fácil encaixar as pernas na MGX do que na Street Glide, devido ao depósito mais largo desta última que obriga a abrir um pouco mais as pernas, ficando assim mais expostas ao vento. Neste aspeto, devido à forma de ambos os frontais, as pernas acabam por ser o elemento mais exposto, o que se torna algo desconfortável, principalmente em tiradas maiores. Depois de absorvidas as primeiras impressões, é tempo de nos sentarmos na Harley, rodar o enorme interruptor de ignição e dar vida ao V2 de 1745 cc que desperta como um trovão graças à sonoridade única da H-D, mas que rapidamente encontra um regime de ralenti que permite ao motor ter um comportamento muito mais suave que as suas antecessoras. Isto deve-se ao facto deste modelo de 2017, à semelhança da restante gama turística da H-D, equipar os novos motores Milwaukee-Eight de oito válvulas. A Street Glide recebe a versão de 107 polegadas cúbicas (1745 cc) refrigerada por ar/óleo e onde, seja num ritmo mais vigoroso ou em regimes constantes ao longo de quilómetros de autoestrada, as vibrações são praticamente nulas, sem retirar ao V2 qualquer ímpeto. A caixa de seis velocidades mantém um caráter bruto e metálico, mas apenas em sonoridade, já que tanto em aumento como em redução da relação de caixa, as engrenagens entram sem qualquer desestabilização do conjunto.

Por outro lado, o motor presente na MGX, o V2 de maior dimensão produzido na Europa, é um poço de força e compensa o que lhe falta em suavidade com um caráter explosivo, acessível a regimes bastante mais altos do que no propulsor da Street Glide. Tirando partido do modo “Veloce”, que aprimora a reação do acelerador, conseguimos tirar partido de um motor com alma desportiva que, em junção com a suspensão ajustável em pré-carga e extensão no eixo traseiro, através de um manípulo na lateral da moto, e um conjunto de travões Brembo de enorme eficácia, principalmente no eixo da frente, nos permite apreciar umas boas estradas de curvas depois de chegarmos ao nosso destino. Ainda no campo das ajudas eletrónicas, a MGX conta com três modos de condução: Veloce, Turismo e Pioggia - este último que reduz a potência em caso de piso molhado -, controlo de tração ajustável em três níveis e o indispensável ABS, enquanto a Street Glide apenas conta com ABS e chave de aproximação. Infelizmente, nem tudo é perfeito na Guzzi, com uma direção extremamente pesada a baixas velocidades que comprometem seriamente as manobras a baixas velocidades, obrigando a um esforço acrescido para corrigir as derivas da direção devido ao peso da extensa jante de 21 polegadas em alumínio, e cuja cobertura em fibra de carbono apenas adiciona uma componente estética. Quando atingimos velocidades onde o efeito giroscópico segura a jante com maior facilidade, ainda se nota alguma inércia na hora de realizar uma mudança de direção mais súbita.

Já do lado da H-D, a Street Glide manobra-se sem esforço, apesar dos seus nada simpáticos 376 kg. O sistema de travagem da moto de Milwaukee funciona q.b, continuando a depender de uma boa dose de travão traseiro, principalmente em travagens mais fortes. Mas, apesar da sua manobrabilidade, a Harley assume-se rapidamente como uma moto viajante, sentindo-se perfeitamente à vontade em longas tiradas que proporcionam níveis mínimos de fadiga. Ao contrário da suspensão traseira da Guzzi que pode ser afinada em pré-carga e extensão, encontramos por trás da mala esquerda da Street Glide um manípulo para ajustar apenas a pré-carga, algo recomendável já que a moto apresenta de fábrica uma afinação demasiado suave. As malas de ambos os modelos são esguias, pelo que objetos largos não caberão (nomeadamente capacetes de qualquer espécie) mas as malas da Street Glide levam a vitória no que diz respeito ao volume total, uma vez que a parede interna das malas da MGX contornam os amortecedores traseiros, diminuindo o espaço disponível. De destacar que as malas da H-D são removíveis, ao contrário das da Moto Guzzi. O painel de instrumentos de ambas as motos é extremamente completo, não faltando informações como odómetro, parciais, nível da bateria, nível de combustível, autonomia, relógio, velocímetro e conta-rotações. O sistema de som de ambos os modelos é de fácil utilização graças aos respetivos botões salientes que controlam o volume e selecionam a estação de rádio. A potência das colunas é suficiente para se fazerem ouvir até aos limites máximos de velocidade e a qualidade do som é satisfatória. No caso da Street Glide, podemos ainda contar com o sistema de GPS da Harley desenvolvido em Milwaukee, que se prova uma grande ajuda em viagens maiores ou em situações onde é necessário descobrir determinado destino. Na nossa unidade de testes, num percurso que nos levou de Lisboa a Mérida, o GPS funcionou de forma bastante exata à exceção de duas ocasiões, onde um “bug” pura e simplesmente bloqueou o GPS, obrigando a duas paragens para reiniciar a ignição da moto. Dois modelos bastante semelhantes provam ter aspirações distintas. Na Harley- Davidson Street Glide temos a perfeita moto para grandes viagens, graças a um motor muito suave, relativamente económico e com uma manobrabilidade fácil para o seu tamanho. Já na Moto Guzzi MGX-21 temos uma “bagger” mais desportiva que quebra o molde deste tipo de motos, aparentemente difíceis de manobrar, proporcionando uma condução divertida em estrada aberta ou em estrada de montanha, sendo apenas de lamentar a escolha da marca pela jante 21’’ que carrega a direção com enorme peso. 

 

Harley-Davidson Street Glide Special

 

 

Moto Guzzi MGX-21

 

Galeria:

 

 

Texto: Francisco Brandão Ferreira Fotos: Jaime De Diego Colaboração: Pepe Burgaleta

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