Testes: Triumph

Triumph Tiger Sport

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26 / janeiro, 2017

Pronta para tudo!

A Tiger Sport 1050, provavelmente o modelo mais polivalente da gama Triumph, foi alvo de uma extensa remodelação para 2016. 

 

Tendo como ponto de partida a necessidade de adaptar o modelo às exigências da norma Euro4, a Tiger Sport 1050 recebeu um novo motor e pacote de eletrónica, para além de uma ligeira revisão estética e o limar de arestas em alguns pontos. E foi exatamente um ano depois de ter rodado com a versão anterior da Tiger Sport que me calhou passar uma semana com esta nova tigresa, tendo feito mais de 1000 km aos seus comandos, cerca de metade deles feitos com “pendura”, em ambientes bastante variados, ao sol e à chuva! Acabou por ser o modo ideal para comprovar que esta continua a ser a “moto total”, senhora de uma versatilidade notável e com qualidades reforçadas em vários pontos. Face ao modelo lançado em 2013, salienta-se o motor oriundo da nova Speed Triple, aqui algo domesticado para se adaptar às necessidades da Tiger Sport, com os resultados finais em termos de performance a serem sensivelmente os mesmos que se verificavam na antecessora - pelo que apurámos não só em sensações de condução, mas, também, ao verificar as medições de acelerações e recuperações efetuadas pelos nossos colegas da Motorrad. A marca inglesa declarou uma melhoria de 4% no binário na faixa média de rotações, mas este incremento não é percetível em condução.

Quanto aos consumos, também foi anunciada uma redução de 8% face à anterior Tiger Sport, mas o facto é que apurámos no nosso percurso habitual exatamente os mesmos 5,5 lt/100 km que tínhamos verificado no ano passado. Onde as melhorias são notórias é em diversos pormenores de ordem prática, que tornam a condução da Tiger Sport ainda mais agradável. Nada de radical, até porque a base de trabalho já era muito boa, mas detalhes como o novo ecrã regulável manualmente em duas posições, bem como os pequenos defletores integrados entre a cúpula do farol e o ecrã, ou os protetores de punhos (tudo material de série), são muito bem vindos e melhoram de  facto a proteção aerodinâmica dos ocupantes. Realmente assinalável é também o conforto do assento, muito acima da média do segmento, tanto para condutor como para o passageiro – que vai bem sentado e conta com pegas dispostas na posição correta. Ao receber o novo “pack” eletrónico, a Tiger Sport ganha acelerador Ride by Wire, com três modos de condução (Rain, Road e Sport) e controlo de tração com dois níveis – que se pode desligar, tal como o ABS.

Quase tudo isto - bem como alternar a visualização de toda a informação do painel - pode ser controlado mediante dois práticos botões instalados junto ao punho esquerdo. “Quase”, pois os modos de condução, esses são alterados em dois botões junto ao painel (algo que não se percebe, pois as T120 e Thruxton já trazem todos os comandos junto aos punhos, não obrigando a tirar a mão do guiador). O painel é idêntico ao anterior, legível e informativo, mas agora também com a indicação da mudança engrenada. Na estrada, é agradável perceber que o rugido com que somos brindados quando puxamos pelo tricilíndrico não se alterou com a adoção das novas regras europeias, bem como a aceleração forte e a resposta extremamente linear. O motor é tão “redondo” que não precisamos de recorrer muito à caixa, mas, quando o fazemos, notamos uma notável suavidade de acionamento. Apesar de existirem, as vibrações são bem absorvidas, e a verdade é que não damos por elas no assento, nos poisa-pés ou nos punhos. A única prova da sua existência surge nos espelhos, que, apenas em velocidades de autoestrada, vibram excessivamente e tornam difícil ver quem vem atrás.

A travagem encontra-se num muito bom nível, progressiva q.b. numa fase inicial mas com uma mordida forte quando é solicitada. Em ritmo mais desportivo, o único senão é o peso que, em conjunto com uma distância entre eixos respeitável, faz com que, na abordagem de uma estrada de montanha com curvas apertadas, tenha de se refrear um pouco os ânimos. Afinal, apesar de contar com “Sport” na designação, esta não é propriamente uma desportiva. O modo Road, no qual fizemos a maior parte do percurso e os consumos, foi o nosso preferido, debitando os 126 cv mas com uma entrega menos agressiva, ao contrário da resposta mais espigada do modo Sport, mas no qual sentimos um muito ligeiro delay no curso inicial do acelerador eletrónico. 

Ponto final

A Tiger Sport é uma moto verdadeiramente multiusos! Cidade, estrada ou autoestrada, dia a dia de casa para o trabalho ou férias com viagens longas, nunca o deixará desiludido. Mantém-se a polivalência, mas diversos aspe­tos práticos que se refletem no conforto dos ocupantes foram melhorados, o que a torna, agora, ainda melhor opção para viajar. Em ritmos desportivos também é capaz de nos deixar com um sorriso nos lábios, mas há que ter em conta que, pelo seu peso e dimensões, não é propriamente uma superbike.

Galeria:

 

Texto: Luís Carlos Sousa Fotos: João Carlos Oliveira

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