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Exposição Motos de Portugal

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05 / outubro, 2017

Está patente até ao final do ano, na Casa do Design em Matosinhos, uma fabulosa exposição de motos clássicas denominada Motos de Portugal. A não perder.

Foi inaugurada a 21 de setembro em Matosinhos uma excelente exposição sobre o motociclismo nacional no século XX, uma exibição imperdível que a ESAD-IDEA (Escola Superior de Arte e Design) conseguiu pôr de pé com a sua equipa e a curadoria do Professor Emanuel Barbosa.
A exposição, que estará patente até 31 de dezembro, tem lugar na Casa do Design de Matosinhos, no edifício dos Paços do Concelho, onde o visitante terá – gratuitamente - o prazer de viajar pelo século XX, ficando rendido a modelos como a Werner, considerado por muitos como a primeira verdadeira motocicleta a nível mundial. Em Portugal foi o Dr. Tavares de Mello, de Coimbra, que no início do século XX importou, comercializou e competiu com as Werner, batendo recordes e chegando mesmo a fabricar motocicletas Tavares-Werner, muito avançadas para a época.


Entramos nas décadas seguintes e outro projeto português se destaca, a Nacional – SMC, criada por dois lisboetas, Augusto Maia e Manuel de Seixas, auxiliados pelo fabuloso mecânico do Barreiro José Silvestre – uma máquina de 500 cc de categoria equivalente ao que melhor se fabricava em Inglaterra.
Chegando à década de cinquenta e beneficiando da lei que autorizava qualquer português a conduzir um velocípede motorizado até 50 cc com uma simples licença camarária, deu-se o início de uma nova indústria - a construção de motorizadas que revolucionaram os transportes em Portugal. Indústria muito bem documentada nesta exposição com as Vilar, construídas na Fábrica Nacional de Bicicletas no Porto, bem como as Alma de Vila Nova de Gaia, as Famel de Águeda, as Pachancho de Braga e tantas outras, destacando-se a curiosíssima SO4 criada nas instalações da CUF no Barreiro.

Os anos 50, 60,70 e princípios de 80, aqui tão bem representados, foram anos de loucura no fabrico e venda de motorizadas em Portugal, pois as fábricas não conseguiam produzir para satisfazer as encomendas do mercado nacional e internacional.
Esta mostra, que tem quase uma centena de exemplares, dá-nos uma belíssima ideia da variedade existente, salientando o design muito próprio das marcas nacionais, como a originalidade das SIS-Sachs, das Casal ou das Pachancho.  Caso curioso é o da Famel XF17, recordista de vendas desta marca, que nesta exposição está lado a lado com a Suzuki T 125 (Stinger), modelo de onde copiou literalmente as linhas do tanque de gasolina, decoração e emblemas.
Dirão provavelmente que muitos modelos não estão presentes em Matosinhos, mas é bom que entendam que em Portugal se construíram certamente mais de cinco mil modelos diferentes de motorizadas! A competição também não foi esquecida e ainda bem, pois serviu de laboratório para tantas fábricas que participaram no Motocross, Velocidade e Enduro.
A documentação existente nas imensas vitrines complementa toda uma história do século XX. Fabuloso e inédito o relato e o filme de Abílio Fevereiro e Eduardo São Simão, dois jovens que, em 1973, percorreram a Europa em duas motos Casal K270 novas, com o apoio da metalurgia Casal, uma verdadeira aventura durante 48 dias visitando pela Europa fora todos os agentes da marca e conseguindo testar e relatar em pormenor as suas experiências nestas máquinas ao longo de 15.500 km.

Perguntarão porque estão, de volta e meia, expostas máquinas fabricadas no estrangeiro. Pois estão pontualmente presentes, para situar comparativamente o que se fazia por esse mundo fora.
Não posso deixar de destacar a Derbi RAN (Réplica Angel Nieto) 50 cc, uma das mais velozes dos anos 70 e construída na fábrica da marca na Catalunha, homenagem ao 13 vezes Campeão do Mundo que venceu o primeiro Grande Prémio na inauguração do Autódromo do Estoril, em agosto de 1972 e que nos deixou recentemente após um estúpido acidente em moto 4. 
Até 31 de dezembro de 2017, aos dias de semana durante as horas de expediente e ao sábado à tarde, esta exposição estará à sua espera. Vá vê-la e divulgue-a.

Texto e fotos: Pedro Pinto

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