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Reportagem: Euro4

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17 / julho, 2017

Afinal, o que é o Euro 4? 

2017 marca a entrada em vigor da fase final de uma normativa europeia que obrigou todos os fabricantes a tornarem as suas motos mais amigas do ambiente. Mas, para o utilizador, o que se pode esperar destas motos com homologação Euro 4?

 

Certamente não lhe passou ao lado a longa lista de novos modelos e atualizações que encheram os stands dos Salões de Colónia e Milão, e, nos materiais de imprensa relativos a estes novos produtos encontramos repetidamente menção à “homologação Euro 4” que detêm. Mas, afinal, que homologação é esta e como afeta os motociclos que chegam agora aos concessionários? Com as alterações climáticas cada vez mais na ordem do dia, a União Europeia decidiu, em 1999, instaurar um conjunto de normas destinadas a limitar a quantidade de poluição atmosférica emitida pelos motociclos, tal como havia feito seis anos antes com a indústria automóvel. A primeira “geração” destas medidas entrou em vigor em 1999 com o chamado Euro 1 para motociclos e com a posterior introdução, em 2005 e 2007, das normas Euro 2 e Euro 3, respetivamente - esta última vigente até 2015. Todos os modelos totalmente novos apresentados nesse ano como modelos de 2016 foram desenvolvidos com vista a passarem as exigentes normas Euro 4 e a 1 de janeiro de 2017, homologação que passa a ser obrigatório para todos os motociclos novos. No cerne desta legislação europeia, estão um conjunto de requisitos que visam estabelecer um novo patamar de restrições poluentes. Ao nível das emissões de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de azoto, regista-se uma redução de cerca de 43% comparativamente com os valores permitidos sob a égide Euro 3, o que obrigou a um aumento da eficácia da combustão e dos catalisadores dos sistemas de escape para garantir a conformidade sem diminuir ou - nos casos dos novos motores -, até aumentar a sua performance.

Este assunto leva-nos a uma questão que é sobejamente colocada: no caso dos motores que foram renovados para ir ao encontro das normas Euro 4, é expectável um decréscimo de performance face às unidades Euro 3? No caso de motores de refrigeração líquida desenvolvidos nos últimos três anos a “atualização” não deve constituir mais do que uma reprogramação da ECU e a instalação de um novo catalisador de maior dimensão interna, com perdas mínimas ou mesmo nulas de performance que, de qualquer forma, serão contrabalançadas por um caráter mais pujante em médios regimes de forma a não obrigar o motor a rodar em altas rotações. No caso dos motores de refrigeração a ar, a situação difere um pouco, com as novas unidades a apresentarem valores de potência e/ou binário ligeiramente inferiores, apesar de estarmos perante propulsores em tudo semelhantes. Em estrada a diferença poderá ser percetível, mas apenas por quem tenha oportunidade saltar de uma para outra, ou seja, nenhum novo cliente se irá queixar da performance de um novo motor Euro 4 só por si. Ao nível do sistema de escape, os fabricantes tiveram também de reduzir o ruído, que não pode superar os 80 dB nos motociclos com mais de 175 cc. De forma a limitar a manipulação dos dispositivos antipoluição, as normas Euro 4 obrigam à implementação de um sistema de diagnóstico (OBD) que monitoriza as emissões do motociclo de forma a garantir a conformidade com os valores homologados durante toda a vida útil dos componentes que, no caso de motociclos com velocidade máxima superior a 130 km/h, se situa nos 35.000 km. O sistema OBD emite um aviso ao condutor caso haja uma falha nos dispositivos antipoluição e informa, através de mensagens de erro recuperáveis através de uma oficina especializada, os elementos em falha. Estes sistemas de diagnóstico poderão ser uma dor de cabeça para quem gosta de modificar a sua moto, uma vez que qualquer alteração do motor ou do sistema de escape que não esteja conforme as regras de homologação poderá resultar numa incompatibilidade com o sistema, exceção feita aos acessórios oficiais da marca que terão homologação caso se destinem à circulação em estrada. Mas, para além da poluição, as normas Euro 4 também contemplam a segurança rodoviária com a obrigação de montagem do sistema ABS em motociclos com cilindrada superior a 125 cc e travagem combinada em veículos de 125 cc ou menos. Apesar da resistência da parte de alguns puristas, o ABS é uma incontornável ajuda que permite uma travagem mais eficaz e segura, principalmente em condições de piso molhado ou instável. Este é o primeiro sistema de ajuda eletrónica a tornar-se obrigatório na Europa. Nas páginas que se seguem encontrará uma descrição das funcionalidades de cada sistema.

 

ECU/ OBD

Como parte da preparação dos motores desenvolvidos sob a vigência das normas Euro 3, e caso o motor ofereça essa flexibilidade, é possível reprogramar os parâmetros do ECU, alterando a quantidade de combustível e a eficácia da combustão de forma a minimizar a quantidade de gases poluentes expelidos. O novo sistema de diagnóstico junta-se ao “cérebro” da moto controlando o bom funcionamento dos dispositivos antipoluição.

Catalisador

Alguns modelos de 2017 equipam sistemas de escape um pouco desproporcionados para as suas dimensões, não se devendo isso a qualquer falha da parte dos desginers mas sim à necessidade de os equipar com catalisadores capazes de cumprir as normas Euro 4, tanto a nível de emissões poluentes como de ruído. Mesmo os sistemas de escape desportivos necessitam de montar um catalisador, como o disponibilizado pela Yamaha, à esquerda.

 

Recipiente de recirculação de gases

Não é apenas ao nível do escape que se registam emissões poluentes. Os depósitos de combustível são agora obrigados a ter uma ligação a um recipiente com carvão capaz de absorver os gases do combustível e a reaproveitá-los na câmara de combustão. Isto resulta em menos emissões e menores consumos.

 

Luzes diurnas (DRL)

Não são novidade, e o código da estrada português obriga todos os motociclos a circularem com as luzes de médios ligadas mesmo durante o dia, mas com as normas Euro 4 torna-se obrigatória a montagem de um sistema de iluminação diurna cuja função, mais do que iluminar, é tornar o veículo o mais visível possível, principalmente em período diurno. As instâncias mais avançadas destes sistemas conseguem alternar automaticamente entre DRL e médios, por exemplo em túneis, permitindo ao condutor concentrar-se na estrada.

 

ABS / Travagem combinada

Uma das faces mais visíveis do Euro 4 é a obrigação de montagem de sistemas de ABS em todos os veículos com mais de 125 cc e a montagem de sistemas de travagem combinada ou ABS nos veículos com125 cc ou menos. Continua a ser autorizado a modelos de off-road e a modelos mais desportivos a opção de desligar estes sistemas de ABS temporariamente. Desta regra estão excluídos os motociclos de Enduro e Trial. O ABS é o primeiro sistema de segurança ativa para motociclos a tornar-se obrigatório na Europa.

 

Serviços Técnicos

AS NORMAS EURO 4 não se definem apenas por um conjunto de caraterísticas que os veículos têm de reunir. Para além do processo de homologação de cada modelo e dos seus sistemas constituintes, as normas europeias regulam ainda os direitos e deveres dos fabricantes relativamente à disponibilidade de informação sobre manutenção e reparação dos motoci­clos que comercializa. Tudo começa no ato da entrega do motociclo, altura em que deve ser fornecido ao cliente o manual de utilizador redigido no idioma do estado membro em que se comercializa. Este manual deve incluir informações pertinentes e instruções necessárias, com descrição de qual­quer condicionante especial ou res­trição à utilização do veículo, ou dos seus sistemas e componentes. Poste­riormente, e com vista a providenciar ao cliente a liberdade de escolha na hora de realizar as manutenções do motociclo, os fabricantes estão agora obrigados a disponibilizar online toda a informação técnica de reparação e manutenção a “operadores indepen­des” que não pertençam à sua rede de concessionários oficiais. Desta forma, garante-se o acesso sem descrimina­ção à informação a qualquer entidade ligada direta ou indiretamente à repa­ração e manutenção de motociclos. A formação destas entidades, caso seja requerida, deve também ser fornecida com um custo que nunca poderá ultrapassar o valor cobrado às oficinas oficiais.

 

E o stock de Euro 3?

O que acontece aos veículos em fim de série, ou seja, aos veículos que as marcas nacionais ainda têm em stock? A partir de 1 de janeiro de 2017 as marcas poderão continuar a “escoar” estas unidades durante um prazo de 24 meses com limitação do número de unidade passiveis de serem comercializadas a 100 unidades de cada modelo ou 10% das unidades matriculadas nos últimos dois anos, consoante o valor que for maior.

 

Texto: Francisco Brandão Ferreira Fotos: Marcas

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