A RSV4R não é a versão “pobre” da RSV4 Factory, apesar de aparentemente o parecer. Se comparada com a Factory, não permite modificar a posição do motor no quadro, não está equipada com suspensões Ohlins, não tem jantes de alumínio forjado e não monta um sistema de trombetas de admissão de comprimento variável, mas a factura é bastante inferior, concretamente 4.000€, que fazem seguramente a diferença no momento da compra enquanto que os “extras” da Factory não são detectáveis por qualquer um, e muito menos em estrada.
Ou seja, a Factory nasceu para cumprir com as 1000 unidades necessárias para a homologação para SBK, com soluções técnicas que só nesse ambiente é que se justificam, e monta algumas peças mais requintadas capazes de fazer a diferença em campeonatos Superstock. Esta RSV4R destina-se aos amantes das Superdesportivas, cuja utilização se desenvolve maioritariamente em estrada apesar de ser muito bem vinda em qualquer track-day.
O projecto RSV4, segundo Alex Hofmann, ainda não parou de ser desenvolvido, e a prová-lo as evoluções registadas em termos de gestão electrónica. Os mapas que monta são os da última geração, posteriores ao que experimentei na Factory em Abril, acrescentando um tacto ao acelerador notável. Toda a configuração ciclística, desde a posição do quadro até o funcionamento e afinação encontrada para as suspensões Sachs são exemplares, permitindo explorar com uma impressionante facilidade os 182 cavalos do motor.
A tracção e a facilidade de utilização própria da configuração em “V” deste motor conseguem tornar suave o que noutros é opressivo, apesar da ligeireza e fluidez da subida de rotação. O motor sente-se como um aliado, contribuindo para explorar a rapidez e precisão na entrada em curva, não comprometendo pelo excesso a aceleração à saída. A travagem é referencial, mas mais do que a potência e progressividade do seu funcionamento sobressai o equilíbrio ciclístico que a acompanha.
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